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O Conde de St. Germain, a quem o grande filósofo e escritor Frances Voltaire chamou: "O homem que tudo sabe e que nunca morre", é sem duvida uma das figuras mais surpreendentes e misteriosas da história. A Enciclopédia Britânica o qualifica de "Homem Milagroso" e realmente não se conhece a sua origem até o dia de hoje. Sua vida, sua obra e seu desaparecimento final estão tão velados, que seu nome já é sinônimo de misterioso e de incógnito. Nas cartas e memórias dos grandes vultos da história podemos encontrar os motivos que o animaram em seus fins e ações. Só desta forma poderemos ter uma idéia estimativa desse homem que procurou apagar suas pegadas e as de sua obra. Aparentemente, viveu durante centenas de anos e parece ser um homem que conseguia transmutar metais comuns em ouro fino e seixos em pedras preciosas. Por centenas de testemunhas dignos de confiança sabemos que ele não envelhecia durante um período de cem anos; parecia até tornar-se mais jovem. Temos também relatos de que o Conde conseguia abandonar seu corpo físico à vontade, aparecendo, em questão de momentos, a seus amigos que estivessem a milhares de quilômetros de distancia. Nada se sabe do seu nascimento nem de sua linhagem. Rumores não autênticos indicavam que ele era filho do príncipe Racoczy de Transilvânia. Outros acreditavam que o rei de Portugal era seu pai. Mas estas histórias não têm provas. Apenas podemos descobrir que o conde apareceu cedo nos círculos das côrtes européias, pelo século XVIII. E desde seu aparecimento tornou-se pessoa célebre; fabulosamente rico, formoso e culto, possuindo aparentemente poderes sobrenaturais e conhecimentos incríveis. Em seu fascinante livro "Souvenir de Marie Antoniete", a condessa dAdhemar descreve a apresentação do St. Germain na corte da França: “No ano de 1743 correu o rumor de que havia chegado a Versailles um estrangeiro enormemente rico, a julgar pela magnificência de suas jóias. De onde veio jamais se soube. Sua figura era agradável e graciosa, suas mãos delicadas e seus pés pequenos e suas pernas bem proporcionadas, realçadas por meias bem ajustadas. Seu sorriso mostrava dentes magníficos, barba muita bem tratada, cabelos negros, um olhar suave e penetrante, e seus olhos, oh! Nunca vi olhos semelhantes! Parecia ter 40 anos. Freqüentemente era encontrado nos apartamentos reais, onde tinha admissão sem restrições”. Nos perigosos dias que precederam a revolução francesa, vamos encontrá-lo como constante conselheiro e confidente de Luis XV, Maria Antonieta e de Madame de Pompadour. Ele lhes predisse exatamente a revolução dos dias de terror e, apesar de deplorar os sofrimentos, o derramamento de sangue e as injustiças que se aproximavam, procurou fazer com que Eles compreendessem a inevitável e a grande necessidade das mudanças como parte da evolução humana. Ele profetizou o dia e a hora em que Maria Antonieta devia morrer na guilhotina, e, mais tarde, temos o testemunho da própria rainha de que ele Ihe apareceu na prisão em seu corpo astral, assegurando que a guiaria no país além da morte. Por isso, ela foi capaz de andar com soberba altivez para a guilhotina, sendo admirada por todos que a viram. Madame de Pompadour o menciona repetidamente em suas memórias. Em uma delas disse: "Ele possui um conhecimento sólido de todas as línguas antigas e modernas, uma memória prodigiosa, uma erudição da qual se vislumbra algo entre o esmero de sua conversação. Ele contava anedotas da corte de Valois e de príncipes ainda mais antigos, com detalhes tão preciosos, que deu a impressão de ter sido testemunha ocular daquilo que contou. Ele viajara por todo o mundo e o rei gostava de escutar as narrativas de suas viagens pela Ásia, África, pelas cortes da Rússia, Turquia e Áustria. Parecia estar mais a par dos segredos dessas cortes do que os próprios embaixadores do rei. Em uma ocasião manifestou ter conhecido pessoalmente Cleópatra e de ter conversado com a rainha de Sabá. De qualquer maneira, esta e uma pretensão assombrosa, mas a nota de autenticidade é dada pelo famoso compositor Rameau, que declara tê-Io conhecido em Veneza no ano de 1710 e que em 1795 o conde St. Germain parecia consideravelmente mais jovem do que o era 85 anos antes. Em sua biografia de Maria Antonieta, a condessa d Adhemar conta ter ouvido uma conversação entre St. Germain e a condessa de Gergy, uma senhora com certa idade: "- Faz cinqüenta anos fui embaixadora em Veneza e lembro-me de tê-Io visto naquela ocasião, chamando-se Marquês Balleti. Sua aparência era como a atual, só que parecia estar em idade mais madura, pois agora é mais jovem do que antes". "- Madame - respondeu o conde sorrindo - tenho muita, mas muita idade. "- Mas então deve ter centenas de anos! exclamou a condessa surpreendida. "- É possível que eu seja muito mais velho – respondeu ele e fez Madame de Gergy lembrar-se de uma porção de detalhes que ambos conheciam do Estado de Veneza. Como a condessa ainda não acreditasse fêz-Ihe lembrar certas circunstancias e observações. "- Não! Não! interrompeu a velha embaixadora com voz trêmula. Já estou convencida; por certo sois um deus ou um diabo?" Marques Balleti foi apenas um de tantos nomes assumidos pelo conde. Entre os anos de 1710 e 1822 este homem surpreendente passeou pelo mundo sob os mais diferentes disfarces de nomes e títulos. Lemos dele como sendo um agente jacobino em Londres; um conspirador em St. Petersburgo; um alquimista e perito artista em Paris; um aventureiro no México e um general russo em Nápoles. Também temos crônicas a seu respeito relatando que fundou e influenciou grandemente a muitas sociedades espirituais e entre elas estão os Franco mações, os Rosacruzes, os Cavaleiros da Luz, os Cavaleiros Templários, os Iluminati, etc. Esses últimos foram dirigidos por ele nas suas reuniões nas cavernas do Rio Reno. Este homem pasmoso praticamente encontrou-se e conversou com todas as figuras de alguma importância durante o século XVIII. Existem cartas pessoais que indicam que o conde fez muitas pessoas jurarem que se calariam, mas existem suficientes relatos que indicam que ele deu conselhos altamente significativos a cada um. Horácio Walpole falou-lhe em Londres no ano de 1745; Clive, o conquistador da Índia, conheceu-o intimamente naquele país em 1756; Madame dAdhemar, afirma que ele a visitou cinco vezes depois de sua suposta morte, ou seja, trinta e seis anos depois. O famoso Mesmer confessou que St. Germain era seu instrutor, e o escritor Bulwer Lytton era um dos seus amigos. Uma indicação dos seus poderes telepáticos está contida em "Recordações de Viena", de Franz Graffer: "St. Germain pouco a pouco se fez esquisito. Por uns momentos ficou rígido como uma estátua; seus olhos, sempre expressivos, mais do que se poderia descrever, tornaram-se sem briIho e sem cor. Mas, de repente, todo seu ser tornou a se animar; fez um aceno com a mão como se despedisse e disse: "Devo partir imediatamente,pois precisam de mim em Constantinopla e depois na Inglaterra, para preparar as invenções que Ihes serão entregues no próximo século: trens e barcos a vapor". Considerando que isso foi escrito muito antes da invenção das duas máquinas a vapor, não podemos duvidar que ele opere em dimensões e sob leis desconhecidas da humanidade. Notícias pouco fidedignas anunciam a morte do conde de St. Germain no ano de 1784, no Palácio de Carlos de Hesse (Alemanha). Uma autoridade escreveu: "Uma grande incerteza cerca os últimos anos de St. Germain, pois não se pode depositar nenhuma confiança no anuncio da morte de um iluminado feito por outro, pois pode ter servido aos interesses da sociedade que se fizesse crer na morte do conde". H. P. Blavatsky escreve em data posterior: “Acaso não é absurdo supor que, se ele realmente morreu no lugar e no tempo indicado, fosse enterrado sem pompa nem cerimônias, nem supervisão oficial e sem o registro policial que acompanha os funerais de personagens de sua envergadura? Onde estão esses dados? Ele desapareceu da vida pública há mais de um século, mas não existe registro desse acontecimento. Um homem, em torno de quem se fez tanta publicidade, não pode desaparecer sem deixar pegadas. "Além disso, temos provas positivas alegando que ele continuou vivendo durante outros anos depois de 1784. Teve uma conferencia particular muito importante com a lmperatriz da Rússia em 1785 e apareceu à princesa de Lombelle, quando ela esteve ante o tribunal, minutos antes que fosse derrubada com um golpe e que um rapaz carniceiro lhe cortasse a cabeça. Da mesma forma apareceu a Jeanne Du Barry, a concubina de Luiz XV, quando esperava, em Paris, no cadafalso da guilhotina, durante os dias de terror no ano de 1793". Inúmeras outras personalidades declararam ter visto e conversado com o Conde de St. Germain depois do anúncio de sua morte. Entre estes se encontra o Conde de Challon que declarou numa reportagem ter conversado com ele, longamente, em diferentes ocasiões, depois de 1784; aí está também à asserção de Madame de Genlis, de que lhe falou durante as negociações para o Tratado de Viena em 1821; afirmação de Madame dAdhemar, dos seus encontros com ele até o ano de sua morte em 1822 e a manifestação da doutora Annie Besant, no órgão "Theosofist", de janeiro de 1912, de que ela o encontrara e falava pela primeira vez em 1896. Nos documentos oficiais do Franco maçonaria, encontramos que ele foi eleito representante dos francos mações franceses em 1785, detalhe esse que é mencionado na Enciclopédia Britânica. Na Grande Biblioteca Ambrosiona, de Milão, está registrado que Ele presidiu a uma reunião da Grande Loja, juntamente com Cagliostro, St. Martin e Mesmer, no ano de 1867. De modo que devemos forçosamente deduzir que não existe um documento autentico da morte de St. Germain. Sua partida deste mundo é tão misteriosa como seu aparecimento, se é que partiu realmente. (Publicado na Revista: Serviço Rosacruz – maio/1959)

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