Get Adobe Flash player

Se pensarmos na confissão e na absolvição como são praticadas pela Igreja Católica, pode-se dizer que o padre não tem poder para absolver os pecados do penitente e que a prática da confissão por ordem da igreja é uma demonstração pública de penitencia, tal como a prece, feita pelo fariseu que foi ao Templo para que todos o vissem orar.

Porém se a confissão é feita no mesmo espírito em que a fez o publicano, isto é, no espírito de verdadeira penitencia, tem algum valor, pois devemos nos sentir como uma criança que cometeu maus atos, sentindo o peso e a tristeza na consciência por nossos pecados por ação ou por omissão.

Muitos pais já perceberam que a penitencia silenciosa por vezes não é suficiente para a criança que sente a necessidade de confessar suas culpas aos pais. Só depois de obtido o perdão paterno é que sua consciência fica em paz. O mesmo sucede com os filhos de Deus. Pecamos e ficamos pesarosos pelo nosso pecado; tomamos o compromisso de não mais cometê-lo, mas se confessamos a alguém em que temos confiança e essa pessoa nos assegura que o mal nos foi perdoado, sentimos a consciência aliviada.

Este é o princípio em que se baseia o mandamento Bíblico: "Confessai vossos pecados uns aos outros." Aquele a quem confessamos, deverá ter muito respeito e amor, pois nesse momento para nós deverá ser um representante de Deus na nossa natureza superior e nos sentiremos muito aliviados por receber sua simpatia.

Mas deveremos sentir também que o pacto que conosco fizemos de não mais cometer o mesmo pecado foi fortalecido por ter tal pessoa como testemunha. Feita assim a confissão, o perdão será obtido e é, indubitávelmente muito benéfico.

 

O VALOR DO RITUAL

 

Atualmente a humanidade evoluiu bastante, o ponto de estar acima da lei em certos aspectos. A maioria obedece ao mandamento "Não roubarás", por exemplo.

A Lei é um freio anteposto a natureza de desejos, mas quando procuramos o adiantamento espiritual, também devemos levar em conta a espiritualização do Corpo Vital. E esta é obtida por meio da religião e da arte nos seus repetidos impactos, pois a nota-chave do Corpo Vital é a repetição, como podemos constatar observando os vegetais que possuem somente um corpo físico e um corpo vital.

Cada galho e cada folha seguem-se a outro; o vegetal fá-los crescer alternadamente. É o Corpo Vital que constrói as vértebras da espinha humana, uma depois da outra, por repetição constante. E a memória, por exemplo, que e uma das faculdades do Corpo Vital, e é fortalecida e desenvolvida peIa constante repetição.

Quando os Protestantes deixaram a Igreja Católica, deixaram também muitos abusos, mas também ficou muita coisa de valor. Abandonaram o ritual que cada um pode conhecer e compreender, substituindo-o pela, às vezes, pobre pregação do pastor.

Conhecendo o ritual, os fiéis podem enviar seus pensamentos na mesma direção que o padre que o Iê e, desta maneira, a massa total de pensamentos idênticos pode nascer e ser projetada sobre a assembléia de pessoas reunidas.

Agora, numa igreja protestante, a congregação escuta a prece e o Sermão improvisados por seu ministro, menos preocupado, às mais das vezes, com o trabalho espiritual que Ihe incumbe do que com a maneira de construir suas frases de modo eufônico, bonito, de modo à bem impressionar os ouvidos do seu auditório que, em maioria, esquece o que o ministro disse, antes de sair da igreja.

Os que freqüentam a igreja católica e compreendem o ritual são, ainda hoje, capazes de unir seus pensamentos em um conclave espiritual e de conservar na memória o que Ihes foi dito. Assim, aos poucos aumentam a espiritualização do seu Corpo Vital, enquanto que os membros da igreja protestante não são afetados se não no seu corpo emocional, perdendo-se cedo, o efeito experimentado.

A recomendação Bíblica de orar sem cessar foi abandonada sob o pretexto de que "se Deus é onisciente, sabe o que necessitamos sem que o peçamos; e que se não é onisciente, não é onipotente e em conseqüência nossas preces serão inúteis...”.

Esta recomendação da Bíblia foi feita pelo conhecimento da natureza do corpo vital que necessita dessa repetição para não se espiritualizar.

Eis a razão de ser do ritual. Quanto ao seu uso em latim, está dito no primeiro capitulo do Evangelho segundo São João que no princípio era o Verbo e que nada do que existe foi feito sem Ele. O Verbo é um som.

Se colocarmos areia sobre um prato de cobre ou de vidro e passarmos um arco de violino sobre sua borda, será produzido um som que fará com que os grãos de areia se arrumem em figuras geométricas, produzindo sempre, o mesmo som, figura idêntica. Cada som produz uma figura diferente. Assim, se certo som produz um determinado efeito, nós não podemos mudar o som sem mudarmos o seu efeito. Se produzirmos certo efeito dizendo "DEUM" e se traduzimos DEUM por DEUS, o som pronunciado será bem diferente. E como o som produz certos efeitos sobre nossos corpos invisíveis, os efeitos produzidos pelo ritual latino foram perdidos pela igreja protestante que o traduziu ao seu idioma ou que o abandonou de uma vez.

 

NAO VIM TRAZER A PAZ, MAS A ESPADA

 

Diz-se que a "Lei e os profetas foram até Cristo", e que há quatro degraus pelos quais o homem se eleva a Deus.

Primeiro, quando desperta a consciência no Mundo Físico e ainda está no estado selvagem, encontra-se cercado de outros seres humanos que, por força das circunstancias são obrigados a lutar para viver e para eles a "força é o direito". Aprende a não contar senão com a própria força para triunfar dos ataques dos animais selvagens e dos outros seres humanos. Entretanto, percebe ao seu redor as forças da natureza as quais teme, pois sabe que são capazes de matá-lo e que ele é impotente contra elas. Daí começa a adorar, por meio de sacrifícios sangrentos, procurando agradar ao Deus que ele teme.

Vem depois o tempo em que começa a olhar Deus como sendo o dispensador de todos os bens, e que esse Deus o recompensará por sua obediência a Lei ou que o punirá por sua desobediência; que Ele é um poderoso aliado contra seus inimigos, mas também um poderoso inimigo muito de temer. Assim, o ser humano rende um culto a Deus e Lhe sacrifica seus animais, por temor e por avareza.

Depois chega o estado em que ele aprende a adorar um Deus de Amor e a se sacrificar, ele mesmo, dia após dia, durante toda sua vida, por uma recompensa em uma vida futura, recompensa indefinida na qual ele tem fé.

Afinal o ser humano atinge o ponto em que reconhece sua própria divindade, e faz o bem pelo bem, sem pensamentos de temor, sem propósitos interesseiros.

Os judeus atingiram o segundo desses estados e viveram sob a Lei. A religião crista está passando pelo terceiro estado, embora ainda não esteja liberta do segundo. Hoje nós ainda estamos sujeitos às leis feitas por Deus e às leis feitas pelos homens, a fim de dominarmos nosso Corpo de Desejos pelo temor. Mas, para avançarmos espiritualmente, devemos, desde agora, sensibilizar nosso Corpo Vital que responde ao amor e ignara a lei que governa a natureza do desejo.

Para preparar este estado futuro, os sacerdotes, mais adiantados do que o povo, são mantidos à parte. No oriente, certa casta, a dos Brâmanes, era a única que tinha entrada nos templos, e somente ela podia celebrar os cultos religiosos. Entre os judeus, só os Levitas podiam aproximar-se do lugar santo, e assim em todas as outras nações. Os sacerdotes sempre formaram uma classe separada, distinta. Não se podiam casar com mulheres do povo. Eram separados e afastados do povo em todos os aspectos. Isto, porque os Headeres da humanidade só podiam iniciar aqueles que tivessem certo relaxamento entre o Corpo Vital e o Corpo Denso. Assim, reuniam essas pessoas nos templos, regulando sua vida sob todos os aspectos. Mas na ocasião em que o Cristo foi Iibertado do corpo de Jesus e difundiu todo o Seu Ser pela Terra, o véu do Templo foi rasgado, símbolo do fato que a necessidade de uma condição especial havia passado. Desde então, o éter da Terra está se modificando: um crescente grau de vibração permite a expressão de qualidades altruístas. Este foi o ponto de partida dessas poderosas vibrações que causaram a escuridão que se seguiu a Crucifixão. De fato, não foi escuridão, mas uma luz intensíssima que ofuscou as pessoas até o momento em que as vibrações diminuíram de intensidade ao penetrarem na terra densa. Algumas horas depois da crucifixão, o radiante Espírito de Cristo havia penetrado no nosso planeta, e as condições normais foram restabelecidas.

Aos poucos, porém, essa força interior tende a dominar, e as vibrações hídricas se aceleram, aumentando o altruísmo e favorecendo o crescimento espiritual. Por isso agora as condições são tais que não há mais necessidade de uma classe especial e não há mais classe privilegiada, pois cada um de nós pode aspirar entrar no caminho da Iniciação.

No entanto, as condições antigas desaparecem lentamente. Debaixo do regime de Jeová, o Espírito da Lua, a humanidade havia sido dividida em nações. A fim de que Ele pudesse guiá-Ia, tornou-se necessário empregar uma nação para punir outra, pois a humanidade de então era refratária ao amor, obedecendo apenas ao látego do temor. Antes de ser formada a Grande Fraternidade Universal será necessário destruir essas nações, segundo o mesmo princípio de que, se existem construções de tijolos e se quer fazer em seu lugar um grande edifício, é preciso destruir primeiramente os que já existiam, para que seus tijolos possam ser utilizados na construção do grande edifício. Por isso foi que o Cristo disse: "Eu não vim trazer a paz, mas a espada".

Devemos elevar-nos acima do patriotismo e aprender a dizer como Thomaz Paine: "O mundo é minha pátria e fazer o bem, minha religião".

Na noite Santa de Natal, quando nasceu o menino Jesus, os Anjos cantaram o hino: "Paz na Terra e boa vontade entre os homens”. Mais tarde, quando o menino havia crescido, Ele disse: "Eu não vim trazer a paz, mas a espada”. E a religião crista tem sido a mais sangrenta de todas as religiões da humanidade. Ela trouxe a desolação e a dor por onde passou. . ., mas depois dessas lutas, virá o dia em que o hino dos Anjos se tornará realidade, e as palavras do Cristo referentes ao amor ao próximo, oura pronunciadas, tornar-se-ão vivas.

Quando a espada tiver servido seu propósito, será quebrada e transformada em arado, e não mais haverá guerras, porque não haverá mais nações.

 

(Publicado na Revista: Serviço Rosacruz – setembro/60)

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar