Get Adobe Flash player

8485975D-CBA6-46EF-A1EA-5A564E12D148 PE-142-0174

LUCAS - CAP. 10: VERS. 57 A 62

“Indo eles caminho afora, alguém lhe disse: Seguir-te-ei para onde quer que fores. Mas Jesus lhe respondeu: As raposas têm seus covis e as aves do céu, ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça.

 A outro disse Jesus: Segue-me. Ele, porém, respondeu: Permite-me ir primeiro sepultar meu pai. Mas Jesus insistiu: Deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos. Tu, porém, vai e prega o reino de Deus.

 Outro lhe disse: Seguir-te-ei Senhor mas deixa-me primeiro despedir-me dos de casa. Mas Jesus lhe replicou: Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás, é apto para o reino de Deus”

  A escolha, a decisão de trilhar o caminho da espiritualidade é um impulso interior, uma iniciativa do espírito, não produto de um momento de emoção ou fruto de um pensamento. E um ai de coragem serena, não uma mera bravata.

Sepultar os mortos e despedir-se dos seus é apegar-se a algo que oferece uma segurança ilusória, aparente. Assemelha-se ao sentimento que assaltou hebreus no deserto quando ao sentirem falta e saudade das panelas de carne do Egito, erigiram o bezerro de ouro, ou à mulher de Lot que transformou-se em estátua de sal ao olhar para trás e contemplar a destruição de Sodoma e Gomorra. Simboliza uma forma de cristalização.

 Para quem quer trilhar o caminho não existe uma só família, estabelecida nos laços de sangue. A família é toda a humanidade, como dizia Tomas Payne. Somente esse estado de consciência pode libertar alguém da influência do espírito de raça que engendra os sentimentos arraigados de clã, família e raça. Isso só se torna possível através de uma ruptura com os paradigmas da humanidade comum, pois não se pode servir a dois senhores ao mesmo tempo.

 A verdadeira espiritualidade é um caminho, uma trilha. Um caminho leva a um destino.

 Consideremos como exemplo concreto, a rodovia que liga S. Paulo a Presidente Prudente. Podemos estudá-la detalhadamente, consultando um mapa, calculando os quilômetros que separam as duas cidades, verificando em livros quais o lugares interessantes que a estrada atravessa, tudo isso pode ser muito atraente e interessante, mas não será assim que chegaremos ao nosso destino. Se quisermos ir a Presidente Prudente teremos de iniciar a viagem.

 Trilhar o caminho significa por em prática todos os conhecimentos adquiridos, modificar a própria vida, o comportamento, transformar-se constantemente em algo novo e diferente.

 Esse processo de transformação é um compromisso sério, ou seja, é mais do que isso, é um comprometimento, uma responsabilidade.

 Um cientista pode fazer uma grande descoberta que o projete mundialmente e ao mesmo tempo continuar a ser uma pessoa agressiva, amiga do álcool, das drogas ou de qualquer outro prazer mundano. A sua vida e o seu comportamento não afetarão a sua descoberta. O mesmo não se pode dizer da descoberta espiritual. Por ínfima que seja, ela produz um efeito direto sobre a pessoa. Força a mudança de hábitos e atitudes. Não acontece o mesmo com o ser humano comum, pois o mundo aceita novas verdades desde que não haja comprometimentos.

 O objetivo do caminho da espiritualidade é a sabedoria, a totalidade do homem, a vitória sobre a dualidade (polaridade), a união consciente com Deus, o casamento místico, enfim, a consciência cósmica.

 Esse caminho deve ser trilhado com desapego. Os ensinamentos espirituais devem libertar o homem de suas velhas fixações. Porém, sempre há o risco de tornarem-no objeto de novas fixações. Acredita-se ter dado um passo à frente, quando na verdade houve apenas uma troca do objeto de apego. Mudou-se apenas de fixação. Em síntese, a trilha da espiritualidade é o caminho da constante transformação.

Gilberto Silos

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar