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Li, há dias, a seguinte história. Foi escrito numa revista como anedota engraçada, porém encerra uma grande Iição de filosofia:- Doutor, disse aflito o novo cliente, vim consultá-Io para saber o que tenho: sinto-me multo mal. 0 medico examina, ausculta, tira a pressão, toma a temperatura, faz perguntas, apalpa aqui e acolá, mas não encontra a doença. Tendo esgotado os seus recursos - para encontrar algum órgão funcionando mal, diz ao cIiente: -Não encontro nada: tudo está em ótimo funcionamento. E acrescenta: o que o senhor necessita é ir ao grande circo armado naquela rua, onde há um palhaço extraordinário que alegra a todos. E estive lá e realmente voltei satisfeito. O que o senhor precisa é divertir-se, rir, gozar a vera que desaparecera o seu mal-estar. O cliente escutou religiosamente a recomendação do medico. Sorriu e balbuciou:- Veja doutor, que o meu mal não tem cura. Eu sou esse Palhaço. Curioso, fazendo rir a todos e ele mesmo vivendo em profunda tristeza. O afamado escritor Stefan Zweig, antes de embarcar para o Brasil, onde juntamente com a esposa suicidou-se, confessou a seu amigo Freishen: "Sinto-me cansado da vida e decepcionado com o mundo. Prefiro morrer a vive r num mundo que já não é o meu."

Quantos dramas humanos, quanta infelicidade se escondem atrás do anonimato de aparentes alegrias. Se pudéssemos ouvir as batidas agitadas dos corações e compreender os desejos dos seres humanos, quantas decepções, angústias, temores e infelicidades descobriríamos!

Contudo a felicidade existe e é sentida, embora muitas vezes por pouco tempo. Quantas pessoas vivem momentos de gozo e felicidade ao saber a ultima divida paga; ao ver o ente querido doente voltar ao seio da família; ao abraçar o filho ou filha que volta depois de prolongada ausência; ao ver concretizarem os resultados de longa pesquisa científica; ao receber o professor o agradecimento de um aluno que se tornou grande pelos seus esforços e conselhos.

Se há momentos felizes é porque a felicidade existe, mas, sentí-la continuamente, eis o magno problema que estamos procurando sondar.

Definiu alguém: "Êxito consiste em se conseguir o que se deseja; felicidade em contentar-se com o que se conseguiu". Bela definição. Felicidade é estar agradecido e satisfeito com o que se tem. Isto nos é ensinado no décimo mandamento da Lei de Deus, que diz: "Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo. (Êxodo, 20:17).

- Quem não cobiça está satisfeito com o que tem e está feliz. Mas o ser humano satisfeito vai alem deste mandamento, pois a satisfação e a felicidade o levam a outras virtudes. Ele não furta, porque não cobiça, mas está satisfeito, está feliz. Não adultera porque não cobiça. Não dirá falso testemunho contra o próximo porque está satisfeito com o seu semelhante e o ama. Não desonra os pais, pois está satisfeito com os pais que a Providencia lhe deu e procurará honrar o nome que recebeu. Não matará porque não tem ódio ou desgosto; portanto está satisfeito e em paz com os seus amigos, companheiros e vizinhos e vive feliz.

Ele não adorará outros deuses, porque está satisfeito com o Deus que fez os céus, a Terra, os demais mundos, sistemas solares e universos. Não imitará por meio de imagens o Deus verdadeiro, porque está satisfeito com a revelação que a natureza, a Bíblia e o próprio Cristo fazem de Deus. Não usará o nome de Deus em vão, porque está satisfeito com sua posição de ser humano, ante o onipotente Deus, procurando respeitá-lo, adorá-lo e honrá-lo, e nunca usará desrespeitosamente o nome d’Aquele que o criou e salvou. Guardará o dia de descanso instituído por Deus e mantido por Cristo e Seus Apóstolos através dos séculos, porque está satisfeito com os seis dias que Ihe foram dados para o seu próprio uso, dando com alegria o ultimo da semana para as obras e o culto de Deus.

Oh, amigo precioso, ouve o que Cristo disse: "Se queres entrar na vida; guarda os mandamentos". (São Mateus 19: 17). O conselho dado a este mancebo foi completo, porque embora fosse ele um jovem quase perfeito, faltava-lhe uma coisa e por isso não estava satisfeito. Era infeliz. Tinha um ídolo que o acabrunhava e que não estava disposto a sacrificar. Assim é que "qualquer que guardar toda a Lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos". (Epistola de São Tiago, 2:10).

            Concluímos que a observância dos Dez Mandamentos trás paz, paz com Deus e com os homens, perfeição na maneira de viver e felicidade no conjunto da sociedade. A transgressão de um único dos mandamentos trás desequilíbrio no conjunto da felicidade que Deus ideou para o ser humano.

            Mas dirá alguém: "Eu não posso ser feliz; cometi um pecado e tenho remorso; sinto como o salmista quando disse: "O meu pecado está sempre diante de mim (Salmos, 51:3). Quero livrar-me e não posso”. Ora, meu amigo, eis ai a graça de Deus, como foi dito a São Paulo: "A Minha Graça te basta". (Segunda Epistola aos Coríntios, 12:9) Se confessares os pecados cometidos no passado, Ele te perdoa, não pelos teus méritos, mas pela graça que Deus te concede, pois Cristo te remiu na Cruz, por Sua morte expiatória.

Maravilhosa a sabedoria de Deus para com a humanidade. Todas as faltas do passado, uma vez confessadas, foram pagas por Cristo, pela Sua graça, e então Ele diz aos Seus filhos como disse à pecadora: "Vai e não peques mais". (São João, 8:11). Ou em outras palavras; Vai, estas perdoado de todos os pecados cometidos. Eu os paguei todos; mas agora segue a norma de Deus para não transgredires mais e para que seja filho obediente. Diante de nós está o caminho da eterna felicidade. Os teus pecados já cometidos podem ser perdoados, aniquilados, esquecidos pela graça do nosso Senhor Cristo Jesus.

Faze tua retrospecção. Confessa, a você mesmo as tuas faltas. Arrepende-te delas e toma a firme deliberação de corrigi-las. Assim limparás o átomo-semente que está em teu coração, purificado e limpo de todas as manchas do pecado, Cristo te segreda: Anda nos caminhos do Senhor, segue os mandamentos de Deus, cumpre as leis dos homens, cumpre o teu dever de filho, e então terás tudo e serás sempre feliz.

A felicidade que se adquire pela obediência as normas cristãs, não é abalada, mesmo através do sofrimento ou tribulações. A felicidade que Cristo nos dá, dura para sempre, pois sabemos que Ele nunca nos abandonará. Amigo, adquire esta estabilidade e vive sempre feliz.

(Publicado na Revista Rosacruz – Set/60)

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