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O Caminho da preparação – Parte I


Bem disse o Cristo “que suas ovelhas o conheciam pela voz”. Todo verdadeiro aspirante Rosacruz, quando se defronta primeira vez com um dos livros da filosofia ou após ouvir um os nossos expositores, diz: “é o que vinha procurando há tempo. Finalmente achei”. E se lhe perguntarem donde lhe vinha essa aspiração, responde: "é uma questão interna; tinha intuição de que devia ser assim; parece-me lógico”. Isto revela que trazemos conosco o desenvolvimento anímico preparatório que nos habilita a etapas superiores de desenvolvimento nesta vida. E um dia um aparente acaso nos leva uma revista Serviço Rosacruz*, vemos numa vitrine uma daquelas capas características de nossa literatura ou entramos numa rodinha filosófica e então, lá dentro de nós alguma coisa estala, uma vozinha atravessa o véu da carne e reconhece o que já tinha estudado. E então lembramos a frase do Mestre a Tomé: “bendito o que não vê, mas crê”. Realmente, como disse Paulo, “a fé é a substância das coisas esperadas”.

                É muito natural que o aspirante almeje a Iniciação para conquistar mais capacidade de serviço ao próximo. Mas isso pressupõe esforço e perseverança. Assim também faz o indivíduo que estuda anos a fio, com afinco, para formar-se médico e habilitar-se para curar. Quem busca iniciação por mera curiosidade de coisas diferentes e fantásticas ou com intuitos interesseiros, não tem fibra para conquista-la. Podem, então, procurá-la pelo caminho fácil de exercícios de respiração ou de espelho e nesse caso acabam num hospício ou num hospital**; ou então procuram um falso mestre que inicia em tanto tempo, por tantos dinheiros. Em ambos os casos se arruínam ou se desiludem e concluem: “é uma farsa”. Ora o verdadeiro mestre não se revela senão ao devido tempo nem cobra nada.

        As leis naturais são bem fundamentadas. A natureza não dá saltos. Todo desenvolvimento harmonioso é gradativo. Quando é conquistado mais rapidamente, como no método Rosacruz, isto exige renúncia e dedicação, como alguém que se submeta a exame de adura para ganhar tempo.

                É tão lógico: se um médico teve de estudar dezoito anos (quando não repete) para dominar regularmente a especialidade que abraçou, uma ciência material, como nós poderíamos abarcar a ciência da alma, que é muito mais complexa, em pouco tempo? Só mesmo uma alma velha e amadurecida, mas neste caso o esforço foi feito anteriormente e dependia de um simples despertar e um esforço menor, para revelar-se nesta vida.

                Já descrevemos nesta revista um claríssimo trabalho de Max Heindel sobre o que seja Iniciação***. Em resumo, podemos repetir: é uma questão interna e não será por exercícios matérias que vamos conquista-la. O corpo material influi sobre os veículos superiores e estes sobre o corpo, mas esta é uma parcela do assunto. A Iniciação abrange o desenvolvimento simultâneo dos diferentes veículos do ser humano, um atuando sobre os outros.

                Podemos dizer que “o desenvolvimento espiritual começa pelo Corpo Vital”, o veículo dos hábitos, cujos hábitos se formam pela REPETIÇÃO. Falamos aqui de hábitos elevados, pois a repetição de atos degradantes, pensamentos baixos e sentimentos instintivos levam a hábitos escravizadores que embrutecem o ser humano e lhe retardam a evolução. Nossos cursos por correspondência dão uma ideia global pormenorizada de tudo o que convém à alma aspirante. Com tais dados, qualquer pessoa poderá compreender em que sentido deverá dirigir seus esforços e quais os hábitos NOVOS que deve formar. Se for insincero ou dúbio, engana-se a si mesmo. Se não tem decisão para renunciar a antigos hábitos errôneos, que sua natureza inferior reclama, e procura ascender uma “vela para Deus e outra para o Diabo”, nada conseguirá. “Vinho novo não se põe em odre velho, porque estoura”, “nem se põe remendo novo em roupa velha”, diz lá o Evangelho, mui judiciosamente. O novo ser humano indicado por Paulo tem de ser NOVO mesmo, coerente.

                Quando começamos novos e edificantes hábitos, físicos morais e mentais, partimos ao encontro do ser humano ideal em nós, que, segundo Platão, dever ser ATLETA, SÁBIO E SANTO, um Corpo são, um Coração nobre e uma Mente pura. E o método para atingir esse ser humanoideal? Max Heindel o expôs de forma magistral na conferencia XI do livro “Cristianismo Rosacruz”. É a amorosa contribuição GENÉRICA de quem já foi muito adiante, no caminho, e volta, para nos prevenir dos desvios retardantes, ensinando-nos como chegar mais depressa ao CIMO. Por isso é uma orientação genérica. A Iniciação é muito pessoal e não pode ser dada por correspondência ou classe, segundo algumas escolas, até com nome indevido de Rosacruz. Indicado o Caminho, cada um se esforçará em percorrê-lo.

                E depois de certo ponto terá ajuda individual do Mestre, um Mestre verdadeiro, um Irmão Maior da Ordem, que lhe respeitará a Epigênese.  Esse ponto, na escola Rosacruz, é o discipulado, o quarto dos sete graus. Até esse ponto ele será preparado pela Fraternidade Rosacruz, em seus cursos  epistolares e orais, além de outras ajudas, como a dessa revista.

(Extraído da Revista Serviço Rosacruz – Janeiro de 1964).

 

* Revista atualmente fora de circulação, mas pode ser gratuitamente solicitada na Sede Central do Brasil pelo e-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo..

** Muitos irmãos, podem adquirir desequilíbrios emocionais importantes (às vezes irreversíveis) que retardaram sua produção espiritual ativa numa vida (nota atual);

*** Maiores detalhes sobre Iniciação, ver em “Coletâneas de um Místico” de Max Heindel.

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