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O Caminho da preparação – Parte IV – A devoção e o Éter de vida

                Os artigos anteriores desta série inferem-se que a trilogia ideal: UM CORPO SÃO, UM CORAÇÃO NOBRE E UMA MENTE PURA, que constitui o lema Rosacruz, fundamenta-se principalmente na disciplina e espiritualização dos Éteres, sendo que o Químico afeta o corpo, o de Vida, a emoção e os dois superiores, o Luminoso e o Refletor, os sentidos e as memórias e consciência. No entanto, repetimos, há uma inter-relação e mútua influência. O primeiro, o Químico, tem relação com o terceiro, o Luminoso, influindo ambos sobre o Corpo Denso, pois a Observação e a Ação geram a Alma Consciente, que é o extrato das experiências do Corpo Denso, absorvidas pelo mais elevado aspecto espiritual do ser humano, o Espírito Divino. O segundo, Éter o de Vida, tem relação com quarto, o Refletor, pois a disciplina do sexo, pelas asas da devoção a ideais superiores, eleva a força criadora não utilizada, através do coração, ao centro espiritual da pituitária, ao mesmo tempo em que desenvolve a capacidade de assimilar mais fósforo, fortificando as funções da memória e do discernimento, para mais fiel interpretação mental do espírito. A elevação da força criadora ascende o fogo espinhal de Netuno e faz vibrar o centro espiritual da pineal. Aí temos, então, o equilíbrio perfeito entre a Mente e o Coração, estabelecendo uma ponte vibratória entre ambos os centros da cabeça, para abrir os olhos espirituais.

                O segundo a formar a águia que voa e busca das alturas, depende da força impulsora da energia criadora sublimada. A força criadora desperdiçada é morte, em todos os sentidos, pois retarda a evolução e enlaça cada vez mais o Ego às condições dolorosas, provocadas pelo embrutecimento do corpo, contrário aos desígnios evolutivos. Por isso Escorpião é o oitavo signo, correspondente à oitava casa, a casa da morte. Conforme diz a Bíblia: “o salário do pecado é a morte”. Além disso, lembremos, com metade da força criadora criamos o cérebro e a laringe e para criar superiormente no futuro, como hermafroditas espirituais, não temos outro caminho senão o da sublimação da força criadora, em benefício do órgão etérico que se está formando dentro do cérebro do ser humano, como uma flor, cuja haste se apoia na laringe. Então a criação do Verbo será de um poder inimaginável, tendo em vista as rudimentares possibilidades de nossa laringe material.

                A força instintiva do rastejante Escorpião não é coisa desprezível, que deva ser objeto de tabus, de repulsa ou considerada como inferior. Essa interpretação errônea de falsos puritanos, de religiosos recalcados e de doutrinas orientais, deve necessariamente dar lugar ao lógico discernimento. Para isto concorre a psicologia moderna, que supera a de Freud e explica o mecanismo da emoção e necessidade de catarse*. Todavia, a Filosofia Rosacruz vai além: mostra como e por que sublimar essa força; que toda força é em si divina e boa e o erro está no seu mau uso, iniciado pela ignorante transgressão às leis, com a decorrente perda de nosso estado de pureza e decretação de posteriores sofrimentos: “comerás o pão com o suor de teu rosto”, desde o simbólico paraíso ou Éden. Agora, com a chave da razão, a meta evolutiva da presente época Ária, vamos sublimar essa força.

                Os prejuízos espirituais e físicos provenientes do recalque estão expressos no mito “Parsifal”, musicado por Wagner na ópera do mesmo nome. Ali, Amfortas, (símbolo do Homem) tenta destruir Klingsor (natureza inferior, instintos) com a lança do poder espiritual (fogo de Netuno). De fato, Klingsor mutilou-se, mas como a paixão está no Corpo de Desejos e não no Corpo Denso, os instintos se manifestaram pela imaginação libidinosa, criando um castelo, onde tentavam desviar para o mal os Cavaleiros do Graal (os sentimentos nobres). Com isso Amfortas foi ferido (recalque) e sofria cada vez que devia realizar a cerimônia de descobrir a lança e a taça, que corresponde à dor da consciência despertada perante seu Cristo interno.

                A questão de sublimar, à maneira de Parsifal (a pureza dentro de nós) - que defrontando Klingsor e suas tentadoras flores (imaginações libidinosas), sentiu por simpatia, o sofrimento de Amfortas e fazendo o sinal da cruz com a espada (usando bem a oração) – desfez o reino do mal. E posteriormente, em peregrinação pelo mundo, no desenvolvimento da consciência e discernimento, jamais usou a lança para benefício próprio ou defesa de si mesmo. Esta mesma ideia está expressa na formosa lenda dos Maniqueus, em que os Filhos da Luz (Altruísmo), vencem os filhos das trevas (instintos), mas, não desejando destruí-los, porque eram bons, dividem seu reino (região superior do Corpo de Desejos) com os vencidos. A mesma lenda estava presente entre os Essênios e constituiu um dos mais importantes pergaminhos encontrados em 1947, no soterrado mosteiro de Qumrãn, às margens do Mar Morto.

                Com isso não queremos induzir ninguém a castidade absoluta. Ela é somente alcançada nas altas Iniciações, e, portanto, por poucos indivíduos. Atualmente a união sexual é o método de procriação. Não há outra forma de subministrar corpos aos Egos que precisam renascer e é dever de todo aquele que seja são, mental, moral e fisicamente, facilitar o veículo e ambiente apropriado aos muitos espíritos em busca de novas experiências, isto conforme os recursos e as oportunidades lhe permitam. Deveríamos realizar o ato da procriação como um sacramento e não para gratificação os sentidos, mas como uma oração espiritual. Isto é o ideal a ser alcançado aos poucos, na sublimação do Éter de Vida, pela devoção a ideais superiores, ,pois assim usada, a força criadora seria precisa muito poucas vezes, sem prejuízo do desenvolvimento espiritual, como sucedeu a José e Maria, pais de Jesus.

                Por ser uma questão muito delicada e profunda, cuja solução é fundamental aos que buscam desenvolvimento espiritual, sua solução fica na dependência de cada Aspirante, para estudá-la e resolvê-la, por seu próprio discernimento, ajudado por nossa formosa filosofia, pela astrologia oculta e incentivado pelas maravilhosas promessas contidas na Bíblia e obras ocultistas.

                “Ao que vencer, eu o farei coluna do Templo de meu Deus e dali jamais sairá”.

 

(Extraído da revista Serviço Rosacruz de Abril de 1964).

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