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O Caminho da Preparação: O Éter Refletor e o Discernimento – Parte VI


Dissemos que o discernimento é a chave particular de desenvolvimento do Éter Refletor, através do qual o espírito colhe as experiências que nutrem e formam a Alma Intelectual, para enriquecimento do segundo aspecto de nossa interna divindade: o Espírito de Vida.

                O discernimento é a faculdade que nos permite distinguir entre o essencial e o supérfluo, separando a realidade da ilusão e o permanente transitório.

                Na sociedade materialista em que vivemos atualmente somos impelidos a pensar que nós somos o Corpo Denso. Mas o discernimento nos ensina que na verdade somos espíritos, enquanto nossos Corpos são apenas prisões temporais, instrumentos à nossa disposição. O carpinteiro usa martelos e serrotes, que lhe são instrumentos utilíssimos, mas nunca lhe ocorre crer que ele seja tais ferramentas. Assim também não devemos identificar-nos demasiado com o corpo, senão, com ajuda do discernimento, considerá-lo como valioso servidor, quando obedece fielmente os ditames de nosso espírito. Considerando-o desse modo veremos que nos é possível realizar muitas coisas anteriormente impossíveis. É por isso que o discernimento gera a alma intelectual e dá ao homem o primeiro impulso rumo à vida espiritual, porque nos mostra em que estado se encontram nossos Corpos Denso, Vital, de Desejos e a Mente, ensina-nos a ver quais os pontos que nos estão obstruindo a marcha ascendente. Mas este desenvolvimento sozinho é parcial, portanto insuficiente. O ocultista desenvolve-se assim, por linhas intelectuais, buscando a verdade, pela observação e discernimento. Observa e raciocina sobre o que vê, obtendo, deste modo, o conhecimento, mas São Paulo advertiu que o conhecimento ensoberbece, enquanto o amor constrói e edifica e, antes que o conhecimento seja utilizado no desenvolvimento espiritual é necessário aprendermos a senti-lo. Caso contrário, não poderíamos vivê-lo. Portanto, o caminho completo é o ensinado pelos Rosacruzes pelos símbolos da lanterna  da mente e do coração do sentimento, do misticismo e do ocultismo, juntos, paralelamente. Assim, enquanto o discernimento nos mostra os pontos falhos, a devoção à vida superior nos ajuda a ser humildes, a reconhecer as próprias faltas e eliminar os hábitos errôneos e indesejáveis traços de caráter, sobrepondo-nos aos desejos inferiores e impulsos instintivos.

                Nessa questão de ver, de discernir, há um ponto importantíssimo: os pensamentos de crítica devem ser evitados. É um péssimo hábito, muito prejudicial ao Aspirante. Devemos abster-nos das críticas, tanto quanto nos seja possível. O verdadeiro discernimento nos ensinará a ver, impessoalmente, de modo genérico, o que é bom e o que é mau. Mas não nos produzirá nenhum sentimento em relação à causa, acontecimento ou pessoa observada. Este é o ponto importante. O exame de um fato, de uma idéia, de um objeto, é necessário para que saibamos seu valor. Olhar e discernir são fatos legítimos e importantes, para que não nos suceda como aquele homem que, levando ao extremo a recomendação bíblica de “não julgar para não ser julgado”, acabou se tornando um idiota, incapaz de saber o que era conveniente ou não. O que se deve evitar são os pensamentos agressivos, que ferem, que degradam, pois sabemos como se geram pensamentos-forma e sua ação fora de nós contra as pessoas a quem os dirigimos. Que eles voltam e depois agem sobre nós próprios. Por outro lado, o estado de crítica de contínua insatisfação obstrui a aura e impede o fluxo de pensamentos nobres e incentivadores que os Irmãos Maiores dirigem a todos.

                A capacidade maior ou menor de discernimento é revelada no horóscopo cientificamente levantado, por Mercúrio (que rege a vibração do Éter e permite a observação), por Saturno (o planeta da consciência moral), por Júpiter, (a mente superior) e a Lua (a mente subconsciente). É uma qualidade mental a ser desenvolvida, especialmente entre nós brasileiros, cuja tendência é mais mística, sentimental, de se deixar levar pelo primeiro impulso. A preguiça mental é um grande mal. Devemos aprender a discernir. Igualmente triste é a cultura periférica dos que vivem a citar ideias alheias que nem chegam a compreender profundamente. Recomendaríamos por em seus lares aquele cartãozinho que vendem por aí: PENSE! e fazerem como em certos colégios norte-americanos: “os melhores mestres são: Quem? Por quê? Como? Quando? Onde? – porque eles nos orientam o amor inato ao próximo e aproveitam melhor nossos esforços sociais, muitas vezes malbaratados em coisas vãs".

(Extraído da revista Serviço Rosacruz de junho de 1964).

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