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Iniciação: O que é e o que não é

 

Primeira Parte

 

 

(Max Heindel)

 

Frequentemente recebemos perguntas referentes à Iniciação, e pedem-nos para informar se esta ou aquela ordem ou sociedade são genuínas e se as iniciações que elas oferecem aos interessados são de "confiança", Por esta razão, parece-nos necessário fazer uma dissertação sobre o assunto, para que os estudantes da Fraternidade Rosacruz possam ter um esclarecimento que lhes sirva de referência e orientação no futuro.

 Em primeiro lugar, gostaríamos de deixar bem claro que consideramos repreensível condenar determinada ordem ou sociedade e fazer qualquer julgamento de suas práticas, pois podem ser sinceras e honestas, de acordo com a sua luz. Não acreditamos poder subir no conceito das pessoas discriminando homens e mulheres em termos depreciativos. Nem temos a ilusão de que nós possuímos toda a verdade e que as outras sociedades estão imersas nas trevas. Reiteramos o que muitas vezes já dissemos, que todas as religiões foram dadas à humanidade pelos Anjos do Destino, que conhecem as necessidades espirituais de cada classe, nação e raça, e têm a sabedoria de dar a cada uma, a forma de adoração adequada à sua necessidade particular. Assim, o Hinduísmo é apropriado ao hindu, o Islamismo ao árabe e a religião Cristã aos nascidos no Hemisfério Ocidental.

 As Escolas de Mistérios de cada religião fornecem aos membros mais avançados da raça ou nação que a adote, um ensinamento mais elevado, o qual, se vivenciado, os coloca numa esfera superior de espiritualidade em relação aos seus irmãos. Assim como a religião das raças mais atrasadas é de uma ordem inferior à religião dos pioneiros - as nações Cristãs - assim também os Ensinamentos das Escolas de Mistérios Orientais são mais elementares que os do Ocidente, e os iniciados hindus ou chineses estão num grau de realizações correspondentemente inferior ao do místico ocidental. Consideremos isto profundamente, para que não sejamos vítimas de pessoas mal informadas que tentam persuadir-nos que a religião Cristã é cruel, comparada com os cultos orientais. Sempre para o oeste, seguindo o sol brilhante - a luz do mundo - caminhou a estrela do império. Por que não admitir que a luz espiritual acompanhou a civilização ou mesmo a precedeu, assim como o pensamento precede a ação? Consideramos a religião Cristã como a mais elevada dada ao homem até o momento presente, e repudiá-la, seja ela exotérica ou esotérica, por qualquer sistema antigo, é, o mesmo que preferir desatualizados livros científicos aos mais novos que encerram descobertas recentes.

 As práticas do aspirante oriental que pretende obter uma vida mais elevada, não devem ser imitadas pelos ocidentais; referimo-nos, particularmente, aos exercícios respiratórios. Estes são benéficos e necessários ao desenvolvimento do hindu, mas o mesmo não se aplica ao aspirante ocidental. É perigoso praticar tais exercícios de respiração almejando o desenvolvimento anímico. Estes exercícios poderão até prejudicar tal desenvolvimento e são totalmente desnecessários. A razão é a seguinte:

 Durante a involução, o tríplice espírito, gradualmente, incrustou-se em um tríplice corpo. Na Época Atlante, o homem estava no nadir da materialidade. Presentemente, a humanidade está passando pelo ponto mais baixo do arco da involução e começa a subir o arco da evolução. Estamos encerrados nesta prisão terrestre e, de tal forma, que as vibrações espirituais permanecem quase extintas. Isto realmente acontece nas raças mais atrasadas e nas classes inferiores do mundo ocidental. Os átomos nos corpos de tais raças atrasadas vibram com intensidade bastante baixa e quando, com o correr do tempo, uma pessoa consegue desenvolver-se e progredir, é necessário elevar esse grau vibratório do átomo para que o corpo vital, que é o agente do crescimento oculto, possa ser, até certo ponto, liberado da força enfraquecedora do átomo físico. Esse resultado é atingido por meio de exercícios respiratórios que, com o tempo, aceleram a vibração do átomo e permitem o crescimento espiritual necessário a cada um.

 Esses exercícios também podem ser praticados no mundo ocidental; especialmente por pessoas que não estão realmente preocupadas com o seu desenvolvimento espiritual. Mas, mesmo entre as que desejam o crescimento anímico, muitas ainda não atingiram o ponto em que os átomos de seus corpos evoluíram a um grau suficiente de vibração, portanto, a aceleração deles, além da medida habitual, poderia prejudicá-las. Nestes casos, os exercícios de respiração não causariam grande dano. Mas, se forem dados a uma pessoa que está prestes a trilhar o caminho do desenvolvimento, quase preparada para a Iniciação e poderia ser beneficiada por exercícios espirituais, então, o caso torna-se bem diferente.

 Durante as várias eras que percorremos no processo da nossa evolução, desde quando estávamos em corpos hindus, nossos átomos vêm acelerando enormemente seus graus vibratórios e, como foi explicado no caso da pessoa que está próxima da Iniciação, o grau de vibração resulta mais elevado do que o da média humana. Portanto, a pessoa não precisa de exercícios respiratórios para acelerar este grau, mas de certos exercícios espirituais que sejam individualmente adequados para seu progresso no caminho certo. Se neste período crítico, ela encontra alguém que, por ignorância e inescrupulosamente, lhe ensina exercícios respiratórios que praticará corretamente na esperança de obter resultados mais rápidos, na verdade os obterá, mas não da forma que esperava, pois o grau vibratório dos átomos em seu corpo se tornará, em pouco tempo, tão acelerado, que terá a sensação de estar caminhando no ar. Poderá ocorrer também uma divisão imprópria no corpo vital, o que causará um desgaste físico e até mesmo a insanidade. Assim, grave bem em sua consciência e com letras de fogo, o seguinte: A Iniciação é um processo espiritual, e o progresso espiritual não pode ser efetuado por meios físicos mas somente por exercícios espirituais.

 Existem muitas ordens no Ocidente que alegam iniciar qualquer pessoa, desde que pague por isso. Algumas dessas ordens têm nomes parecidos com o nosso e muitos estudantes nos perguntam se estão ligadas a nós. Para resolvermos definitivamente essa questão, lembrem-se que a Fraternidade Rosacruz tem constantemente afirmado que nenhum dom espiritual pode ser negociado por dinheiro. Reiteramos que não temos ligação com nenhuma ordem que solicite dinheiro para transmitir poder espiritual. Aquele que tem algo a oferecer de natureza verdadeiramente espiritual, não o trocará por dinheiro. Recebi um especial mandato a este respeito dos Irmãos Maiores no Templo Rosacruz, quando me foi dada a missão de servir como seu mensageiro no mundo de língua inglesa. Não pretendo que acreditem nisso, salvo se virem que ela é justificada por seus frutos.

 Porém, voltemos à Iniciação. O que é? É uma cerimônia como é praticada por certas ordens? Se assim for, qualquer ordem poderá elaborar cerimônias com formas as mais diversas. Podem apelar para as emoções através de roupas pomposas e choque de espadas. Podem suscitar sentimentos de admiração e medo ao arrastar correntes e fazer ressoar gongos, e assim produzir em seus seguidores uma "sensação oculta". Muitos se deleitam com as aventuras e experiências do herói do "O Irmão do Terceiro Grau", pensando ser isto a Iniciação, mas eu asseguro que está muito longe de ser assim. Nenhuma cerimônia pode dar a alguém a experiência interna que constitui a Iniciação, não importa quanto foi pago ou quão impressionantes tenham sido os juramentos, quanto a cerimônia decorreu terrível ou admirável, ou quanto as vestimentas eram maravilhosas. Passar por uma cerimônia não converte um pecador em um santo. A conversão é, para o religioso exotérico, exatamente o que a Iniciação é no misticismo elevado. Considerem este assunto profundamente e obterão a chave para o problema.

 Acreditam que alguém possa aproximar-se de uma pessoa de caráter depravado, aceitar convertê-la em troca de certa soma de dinheiro e cumprir seu compromisso? Sabemos que nenhuma quantia realizaria essa transformação no caráter de um homem. Perguntem a um verdadeiro convertido onde e como adquiriu sua religião. Um poderá dizer que a recebeu enquanto caminhava; outro dirá que a luz e a mudança alcançaram-no na solidão de seu quarto; outro ainda, que a luz incidiu sobre ele, como aconteceu a Paulo na estrada de Damasco, convertendo-o. Cada um possui uma experiência diferente mas, em cada caso, é uma experiência interna e a manifestação externa desta experiência interna é que transforma toda a vida do homem, em todos os seus aspectos.

 O mesmo acontece com a Iniciação: é uma experiência interna, completamente separada e à parte de qualquer cerimonial, portanto, é totalmente impossível que alguém possa comercializá-la. A Iniciação transforma por completo a vida de um homem. Dá-lhe uma confiança que jamais possuiu. Envolve-o com o manto de autoridade que nunca ser-lhe-á tirado. Não importam as circunstâncias que se apresentem na vida, ela difunde uma luz sobre todo seu ser que é simplesmente maravilhosa. Nenhuma cerimônia pode efetuar tal transformação. Portanto, repetimos que aquele que oferecer a iniciação em uma ordem ocultista por dinheiro e através de cerimônias, qualifica-se de imediato como um impostor. Se um aspirante aproximar-se de um verdadeiro Mestre oferecendo-lhe dinheiro para obter conhecimentos espirituais, por certo ouvirá as mesmas palavras indignadas proferidas por Pedro a Simão, o feiticeiro, que lhe ofereceu dinheiro para obter poderes espirituais: "Tua prata morrerá contigo".

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