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“Deixe meu Coração permanecer comigo na Casa dos Corações”


Dentre os diversos ensinamentos contidos no Livro dos Mortos, dado pelo Irmão Maior de Mercúrio Hermes Trismegisto, o conhecimento da alegoria do poder mágico conquistado pela deusa Egípcia Ísis – a Madona do Egito – é de fundamental importância para o aspirante a vida superior.  

O Livro dos Mortos, em verdade, constitui um dos manuais mais completos sobre os processos relacionados à transição da consciência do plano físico para os planos suprafísicos, seja por ocasião da morte física (em que há o rompimento do cordão prateado) ou pela morte virtual, que permite o Ego se tornar cidadão de dois planos suprafísicos e físico, por ocasião de sua Iniciação pessoal.

É fundamental o aspirante conhecer o real significado de alguns destes ensinamentos. Vamos a um deles: o deus Osíris (o princípio masculino e governador dos planos espirituais para os Egípcios) possuía um irmão, Seth-Typhon. Seth era um deus maléfico, invejoso e perverso. Tinha o propósito de destruir Osíris. Também representa as forças lucíferas/marcianas que devemos aprender a dominar nesta vida.

Seth consegue a façanha de prender e matar Osíris.  Para isso, mandou construir um sarcófago com madeira que cheirava a bálsamo e cedro. Suas dimensões foram arquitetadas para encaixar o corpo de Osíris. Durante um banquete oferecido a todos os deuses, Seth convence seu irmão a entrar neste sarcófago. Quando Osíris entra no mesmo, diversos servos de Seth surgem no salão e selam o caixão com chumbo quente.

Jogado no Rio Nilo, o sarcófago foi arrastado ao mar Mediterrâneo, até a costa da Fenícia, onde repousou na base de uma árvore de acácia, que cresceu em torno dele.  O rei de Biblos chamado Malacander precisava de algumas árvores grandes para a construção de pilares em seu palácio e acabou cortando a árvore que estava o caixão com o corpo de Osíris. Ísis, a esposa de Osíris, perambula pelo mundo em busca do corpo de Osíris, refutando ser consolada. Em sua busca, Ísis descobre o pilar do palácio do Rei, pois o mesmo emanava um grande perfume. Após se revelar e contar todo o ocorrido, o Rei e a Rainha graciosamente fornecem o caixão para Ísis. Ela, então, o leva de volta para o Egito. Lá, Ísis utiliza seu poder mágico para lhe soprar vida novamente, e milagrosamente, Osíris ressuscita.

Um dos títulos de Osíris era “Ele que habita na Acácia” e um raminho de acácia é o símbolo da imortalidade ou ressureição nos Mistérios Maçônicos, atualmente. “O Vale da Acácia” é um termo poético para a morte. Na primavera, a Acácia é uma massa de estrelas douradas, brilhante como a cor do Sol.

Seth, no entanto, descobre o ocorrido e mata Osíris novamente. Mas desta vez, desmembra seu corpo em diversos pedaços, espalhando-os por toda a terra. Esotericamente, este desmembramento representa a perda da Luz Crística (Queda do Homem) pela razão da qual o ser humano não mais reconhece sua unidade com Deus, e por isso, sofre sua desmembração, que se expressa em enfermidades ou doenças, ódio, medo e tristeza.

Ísis conseguiu reunir todas as partes do corpo de Osíris, exceto o falo, que havia sido comido por um caranguejo ou peixe. Com seu conhecimento mágico, ela conseguiu novamente restaurar a vida ao corpo de seu marido. Mas Osíris, desta vez, parte para os reinos suprafísicos, onde passa a ser o Juiz dos Mortos e governante dos Reinos Suprafísicos.

Ísis, a virgem, deu luz a um filho divino, Hórus. Ele veio como o Salvador do Mundo, com a promessa de preparar a Terra e as pessoas para retornarem a Era Dourada.  Em Hórus, temos o Messias Egípcio, protótipo do Mestre Jesus, filho da Virgem Maria, na crença Cristã. A Néftis negra era a irmã (sombra) de Ísis. Ela representa o princípio feminino degenerado no ser humano, que sempre está ligado aos sentidos e não ao espírito. Semelhantemente, no Novo Testamento temos Maria Madalena, que é o mesmo princípio feminino degenerado e Maria, a Virgem Divina. No Antigo Testamento, Sarah representa o princípio feminino regenerado e Hagar, o princípio degenerado ligado aos sentidos. É fácil, pois, identificarmos os mesmos princípios arquetípicos expressados em diferentes tempos e culturas. O conflito entre as formas espirituais positivas e maléficas continuam no mito egípcio. Mas agora, Hórus (filho de Ísis e Osíris) e Seth continuam este embate, conhecido por todos.

                Qual era o poder mágico de Ísis, que a permitiu ressuscitar seu esposo em duas ocasiões? Como ela adquiriu este poder?

Conta-se que o Nome secreto de Rá (deus que representa a Sabedoria de Deus) estava escondido em seu peito. A deusa Ísis soube de sua localização e, pelo uso de uma estratégia e ajuda de uma serpente, possuiu este nome. Passou o Nome de Rá para o seu próprio peito ficando poderosa. Assim, por conhecer o Nome de Rá, ela poderia realizar a façanha de curar, regenerar e ressuscitar.

Isto constitui uma analogia muito importante que deve ser compreendida por todos os aspirantes. Em verdade, o Cristianismo Esotérico ensina que o Coração é a Casa da memória Supraconsciente. Em outras palavras, o átomo-semente do Corpo Físico permanece no Coração: nele estão gravadas todas as experiências desde que recebemos este átomo dos “Tronos” no Período de Saturno. Nele, está nosso verdadeiro NOME – Nosso Verdadeiro Poder; o Nome de Rá em nós.

Além disso, Rá também representa o segundo princípio da Divindade, o Amor-Sabedoria. Sabemos que Deus quando se manifesta, o faz de modo Trino: Pai (Vontade), Filho (Amor-Sabedoria) e Espírito Santo (Atividade). Rá representa o Segundo aspecto, que também é o Filho ou Cristo.

Por sermos a imagem e semelhança de Deus, este segundo Aspecto de Deus em nós, “fala” diretamente no coração do aspirante (intuição), nunca pela lógica. Por isso está escrito que o Nome Secreto de Rá está escondido no seu peito. Quando aprendermos a deixar a sabedoria que vem direto do Espírito, pelo coração (memória supraconsciente), apontar o caminho, então, estaremos aptos para iniciar, a cada dia, a restauração de vidas, deixando a disposição de todos, aquilo que temos de melhor.

Seja pela Morte ou pela Iniciação, o espírito deverá passar pelas terras baixas das almas, local conhecido como Purgatório no Cristianismo Esotérico, Hades pelos Gregos e Terra de Amenti pelos Egípcios. Local cheio de poços e cachoeiras imensas, habitado por monstros de aspecto terrível. Apenas os puros de coração, aqueles que foram ou são justos e corretos na terra, podem passar ilesos por este local. Para além desta esfera escura (Purgatório) e atravessando um lago (Lago Lily), encontraremos os Campos Elíseos (o lugar de destino dos bem-aventurados), onde habita Osíris e seus companheiros exaltados. Osíris é aquele que revela O CAMINHO. Do mesmo modo que os Cristãos sabem que vivemos porque Cristo Vive e conquistou à morte (e trabalha anualmente sobre a Terra), os Egípcios também tinham em Osíris semelhante pilar de sobrevivência. “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens”.  I Coríntios 15:19.

O Código Egípcio para viver a vida de acordo com o que é certo para atravessar o Lago Lily era muito semelhante aos princípios dados nos 10 mandamentos. Para ultrapassar o Lago Lily e chegar aos Campos Elíseos, a pessoa tinha que estar pura, com caráter moral puro, conforme atestado pela habilidade de repetir o seguinte código sagrado: “Ele abominava fraude, engano, roubo, violência, adultério, prostituição, libertinagem e homicídio. Ele não defraudou o seu próximo, nem procurou enriquecer-se à custa dos outros, ele não julgava às pressas, não praguejou contra tudo, não se comportou insolentemente, nem multiplicou seu discurso em demasia”.

Se encontrarmos nosso verdadeiro NOME, dentro de nossos corações, poderemos passar ilesos pelas terras baixas espirituais (seja pela morte ou iniciação), atravessarmos o Lago Lily e encontrar a verdadeira vida. Poderemos alcançar a vida eterna, conforme descrito no Livro dos Mortos: “Tempo indefinido, sem início e fim, foi dado para mim; eu herdei a eternidade e a imortalidade foi concedida a mim. Eu sou o Herdeiro Divino, o Exaltado, o Poderoso, o Descansado. Fiz meu nome germinar, entreguei-o e ele viverá através de mim, dia após dia. Eis as pessoas que floresceram e que chegam, quando um homem clama por seus nomes!”.

Que as rosas floresçam em vossa cruz

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