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   No contexto atual, os instrumentos de ação voluntária que dispomos dependem, genericamente, dos processos do sistema nervoso central e dos músculos voluntários. Estes sistemas foram construídos logo após a separação que o Corpo de Desejos sofreu, sendo a parte superior deste Corpo (que é regida pela Lua) responsável pela construção desses músculos e sistema nervoso.

 

   A Mente (veículo responsável pelo elo entre os Corpos e o Ego) acabou UNINDO-SE A ESSA PARTE SUPERIOR DO CORPO DE DESEJOS, deixando nossos pensamentos e ações voluntárias ligadas aos desejos. Portanto, a Mente é co-regente do sistema nervoso central e dos músculos voluntários, juntamente com a parte superior do Corpo de Desejos. Em suma, a Mente somada à parte do Corpo de Desejos superior arrogou, para si, a função de ditadora da conduta humana. Outro importante fator está no episódio conhecido como A QUEDA DO HOMEM, em que os seres humanos decidiram comer do Fruto da Árvore do Conhecimento. A partir deste ponto, a paixão e o egoísmo lucíferos tornaram-se outros elementos que determinam a ação voluntária humana.

    De um ponto de vista imediato, tal condição miserável promove todos os sofrimentos humanos, pois quando vibramos na tonalidade do “eu” (inferior) quebramos o ritmo cósmico coletivo da unidade (nós), e nosso ritmo pessoal fica em dissonância com o ritmo das esferas ou de Deus. Por isso Jeová pronunciou o seguinte canto de lamentação: “Eles me abandonaram, a mim, fonte de água viva, para cavar para si cisternas, cisternas furadas, que não podem conter água. (Jeremias 2:13)”. Cisternas furadas são corpos doentes (em dissonância com aquilo que é Bom e Belo), incapazes de permitirem a ação pura do Espírito. Nós, enquanto Espíritos, não possuímos acesso puro aos corpos ou instrumentos que dispomos para conquistar poder anímico, e, ao tomarmos ciência desta estrutura miserável que ficamos sujeito desde a QUEDA, sentimos a mesma lamentação proclamada por Jeremias: “por que minha dor é contínua e minha ferida incurável... (15:18)” ou “Maldito o dia em que nasci (20:14)”. A natureza inferior governa este TEMPLO SAGRADO, convertendo a “individualidade” do Espírito em “Egoísmo” da personalidade. Por outro lado e de um ponto de vista em longo prazo, esta condição miserável permitirá ao Espírito fortalecer-se a ponto de realizar obras ainda maiores do que as realizadas atualmente por nosso Criador. Por isso se questiona se Lucífer é de fato um obstrutor ou um benfeitor.

 

   Com este conhecimento ativo no raciocínio, a pergunta que naturalmente surgirá será: o que devemos fazer para superar essa condição miserável? Conforme prescrito pela escola pitagórica, antes de saber e poder, é preciso, primeiro, calar. O silêncio interior deliberado é uma condição sine qua non (sem a qual não pode ser), para que o Espírito possa superar a condição miserável, vivida na personalidade. Isso é muito importante! Mas silenciar o que? Observe que existem dois tipos perigosos de “barulhos” (ou oscilações) que contribuem para a agitação humana: o primeiro é a tendência dos pensamentos “pularem” de assunto em assunto, e isto é feito por todas as pessoas, em algum nível. Em casos de psicopatologias, o ritmo normalmente ocorre de modo hiperativo e o processamento da informação pelo cérebro pode ocorrer de modo paralelo ou não sequencial. O estado lastimável do processamento paralelo é aquele em que vários pensamentos parecem ser concomitantemente possíveis. Em casos de exacerbação do humor ou do uso de drogas estimulantes, essa inquietação também pode ocorrer. É importante não confundir expansão da consciência, que permite a noção de unicidade, com a condição patológica de desfoque acima descrita.

    Em relação à hiperatividade mental, não é difícil identificar os danos que ela gera, por isso não aprofundaremos além do que foi exposto. Entretanto, existe uma segunda condição que é culturalmente valorizada e reforçada, aquela em que há concentração, mas necessariamente mantida pelo interesse, paixão ou prazer. Perceba que, quando há interesse e paixão, a pessoa consegue permanecer focada em uma única tarefa por horas a fio. O interesse egoísta aqui, disfarçado de desafio, superação e, até mesmo, empreendedorismo, favorece o foco atencional em grande nível, capacitando à permanência no trabalho ou tarefa.

    Do ponto de vista espiritual, o mecanismo que impulsiona esta concentração, não é muito diferente do sensualista que é incapaz de se aprofundar em qualquer assunto que tenha conceitos abstratos mínimos; porém, esta mesma pessoa consegue permanecer por horas pesquisando conteúdos pornográficos na internet, com grande atenção sobre esse material. O mesmo para os amantes da sensação, do esporte, dos jogos e do dinheiro. Nestes casos, conforme sugerido pelo autor (que quis manter-se no anonimato), a palavra concentração deve ser trocada por obsessão: obsessão em ganhar dinheiro, em superar um desafio, em crescer na empresa, em passar de fase em um jogo, em sentir prazer ou ter uma nova sensação; obsessão por ser amado, por não sofrer qualquer tipo de reprovação; por não passar dificuldade na vida; por passar no vestibular; por ter estabilidade financeira, por fazer sucesso. Perceba que o interesse e o egoísmo lucífero dominam todas estas ações voluntárias, conforme explicado no início deste artigo. Além disso, um valor cultural material promove justificações para manter estas obsessões e exclamamos com grande orgulho: “fiz todo este sacrifício para garantir uma estabilidade financeira e ter uma boa vida!” e adotando tal postura a transmitimos aos nossos filhos que a reproduzem. Morremos com a sensação de termos cumprido com o nosso dever. Nada mais equivocado!

  Algum vislumbre de direcionarmos nossa vida para outros propósitos ocorre quando as “invasões bárbaras” (doenças) tomam posse do corpo. Ali, a voz de Deus chama seu filho de volta à Sua Casa, mas o materialismo é tamanho que muitas vezes nem a doença tem seu devido efeito.

     Retomando o enfoque do texto, é preciso distinguir obsessão de concentração: a concentração verdadeira é, necessariamente, desinteressada (isenta de paixões) e tem o poder de fazer os pensamentos calarem. Essa condição é conseguida pelo poder da Vontade Superior do Espírito, ativamente. As oscilações mentais jamais poderão ser reduzidas ao silêncio, se a vontade não lhes infundir seu silêncio superior. Silenciar o intelecto, a imaginação e o pensamento automático, estas são as metas necessárias para superar a condição miserável e conseguir algum sucesso espiritual.

     O silêncio profundo dos desejos, interesses, preocupações, memória e pensamentos constituem esse Silêncio. Por isso Max Heindel ensina que o silêncio é de grande importância para o crescimento espiritual. Já conseguiste ficar ao menos um minuto sem apertar um botão? Sem ligar a televisão, o rádio, tablet, smartphone, internet, sem assoviar ou cantarolar? Já percebeste o ritmo de seu coração e de sua respiração? Já viajaste em um trem ou metrô, sem ficar olhando para seu smartphone que contribui para o esvaziamento da sua alma, com entretenimento vazio? O autor anônimo, mencionado acima, sugere, por analogia, que no silêncio profundo, todo o ser se torna como a superfície de águas tranquilas, refletindo a presença imensa do céu estrelado e de sua indizível harmonia. Ou seja, é quando conseguimos este silêncio que o ALTO começa a operar em nós.

    “Obtenha sabedoria e entendimento” (Pr 1:2). No silêncio estamos necessariamente concentrados. Aptos para a realização de ações internas, ações sem o ruído de martelo, ações que permitirão a construção de um novo corpo, um novo Templo! O Templo vislumbrado pelo Profeta Ezequiel. É mais do que urgente para o Espírito, que aprendamos o silêncio profundo de nosso ser, do contrário jamais conseguiremos algum progresso espiritual, pois o silêncio interior precede a voz da verdade.

 

Que as rosas floresçam em vossa cruz

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