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“A mais rica biblioteca, quando desorganizada, não é tão proveitosa quanto uma bastante modesta, mas bem ordenada. Da mesma maneira, uma grande quantidade de conhecimento, quando não foi elaborada por um pensamento próprio, tem muito menos valor do que uma quantidade bem mais limitada, que, no entanto, foi devidamente assimilada” – Schopenhauer.

                Cogito ergo sum (penso, logo existo) foi à exclamação feita pelo filósofo e matemático René Descartes, logo após colocar em cheque seus próprios conhecimentos. Nesta condição, pôde aprofundar seu pensamento e concluir que era um ser pensante. Por consequência, concluiu que existia. Ora, os pensamentos próprios são verdadeiros e têm vida, pois somente eles são entendidos como autêntico e completo.

                Entretanto, a maior parte do saber humano existe apenas no papel, no subconsciente ou na supraconsciência. Pequeníssima parcela de conhecimento está realmente vivo, por alguns momentos, na consciência de alguns. Aqueles que já possuem acesso irrestrito e operam este saber em sua totalidade, são conhecidos na Filosofia Rosacruz como Iniciados.

Arthur Schopenhauer considera que a miséria de pensamentos autênticos se dá devido à ilusão da brevidade e da incerteza da vida, somados a indolência e da enorme busca pelo prazer por parte dos seres humanos. Em relação aos considerados eruditos e catedráticos, Schopenhauer relata que estes se interessam apenas pelo acúmulo de informação e total ausência pela busca de instrução. Diante disso, dizia para si mesmo: “Ah, essa pessoa deve ter pensado muito pouco para poder ter lido tanto!”.

Há hoje, assim como nos dias de Schopenhauer, uma nuvem dominante que exerce influência sobre a percepção das massas, sugerindo que ninguém em sã consciência poderia se dedicar seriamente a um assunto se não fosse impelido pela necessidade ou pelo prazer. Isso reforça a indolência e torna o ser humano escravo em níveis quase primitivos das quatro grandes molas motivacionais dadas pelos Anjos Relatores à humanidade: Amor, Poder, Fama e Dinheiro. Tudo isso é reforçado, diariamente, pelos meios de comunicação atuais, que é uma degeneração da verdadeira mídia.

A verdadeira mídia é um instrumento de comunicação em massa aquariano que poderá, algum dia, contribuir fortemente para a elevação da humanidade. O cinema como um grande meio de transmissão da arte, nos presenteia com filmes que despertam pensamentos ativos e abstratos. Filmes como 2001: uma odisseia no espaço – dirigido por Stanley Kubrick; The Matrix - dirigido pelos irmãos Wachowski; Excalibur - dirigido por John Boorman; A Origem - dirigido por Christopher Nolan; Mr. Nobody – de Jaco Van Dormael, dentre outros, são obras-primas que estimulam o uso correto do pensamento. Para se compreender filmes como estes, há necessidade de uma atividade do pensamento, e não uma passividade que recebe informações sem qualquer necessidade de raciocínio, como é o caso de muitos programas de televisão, algumas revistas e sites na internet. Uma análise fria e imparcial daquilo que é transmitido pela mídia atual, revelará um grande apelo emocional dos programas, que encontra forte entrada, pela Lei de Atração, na mente concreta das pessoas, que está contaminada pelo desejo e que é utilizada pela grande maioria de nós.

De fato, há pouco ou nenhum conteúdo que torna o expectador capaz de elaborar novos conceitos, realizar pensamentos profundos e refletir com propriedade sobre assuntos. Para isso se faz necessário utilizar da capacidade abstrata do pensamento. Pacientes acometidos por transtornos psiquiátricos normalmente possuem déficits cognitivos importantes que são os maiores preditores de prejuízos funcionais, tais como trabalhar, aprender, se relacionar com as pessoas e ter vida independente. Estes ficam por horas em frente à televisão, de modo passivo, ou seja, utilizando apenas os éteres de luz e polo negativo do éter refletor em seu cérebro. Há pouca ou nenhuma ativação do polo positivo do éter refletor, que estaria relacionado ao raciocínio próprio e autêntico.

Note o seguinte: ao se passar momentos e até mesmo horas em frente a um veículo de comunicação que prende a atenção por meio do apelo emocional, haverá necessariamente uma condição altamente passiva da mente. O mesmo para a grande quantidade de informações nas redes sociais virtuais alimentadas pela futilidade humana, pelas revistas e por livros considerados como best sellers, lidos com assiduamente por todos. Seriam os Cinquenta tons de superficialidade ou o Código da estupidez, que confunde um ser que atingiu a androgenia espiritual com Maria Madalena, suficientes para despertar no Espírito, a vontade necessária para gradativamente dominar seus corpos e produzir seu próprio alimento?

Vale também considerar alguns dos jogos eletrônicos modernos, que na grande maioria dos casos – e os que fazem mais sucesso – incita as pessoas, especialmente as crianças, mas também muitos adultos, a manter os seus Corpos de Desejos alimentados por materiais das três Regiões inferiores do Mundo do Desejo, seja pela violência, pela paixão, pela impressionabilidade, pela ganância, pela brutalidade, pela intenção de conquistar algo custe o que custar, pela necessidade de chegar até a próxima fase – mesmo que isso signifique: deixar de lado as suas atividades, o seu dever e até de conversar com as pessoas que estão próximas e que precisam da sua companhia! - pela alimentação da força de repulsão que forma um ciclo vicioso de manutenção constante e crescente deste estado emocional lastimável. Note que para jogar, a pessoa utiliza os mesmos instrumentos: aparelho de TV ou de vídeo e a mesma tecnologia de imagem e de filme e de programas televisivos. A teoria que os jogos eletrônicos são lúdicos e auxiliam no “pensamento e na destreza de tomar decisões” caem por terra quando vemos a cor predominante do Corpo de Desejos de quem está jogando – mesmo sozinho: vermelho, escarlate, cinza, marrom escuro, chumbo. Se considerar os vórtices do Corpo de Desejos de quem está jogando, eles quase que paralisam e, em muitos casos, começam a girar do lado contrário dos ponteiros de um relógio.

Semelhante manifestação coletiva dos materiais inferiores do Mundo de Desejos é vista na transmissão de jogos de futebol, principalmente aos domingos à tarde e no meio da semana à noite. Do mesmo modo, os sentimentos despertados pela maioria desses programas, são consideravelmente superficiais e geram uma imensa nuvem colorida hipnótica, produzida por centenas de milhares de pessoas que estão sintonizadas simultaneamente no mesmo canal televisivo e vibracional. Isso é facilmente observado para aqueles que possuem os olhos que podem ver tais fenômenos. Esta coletividade emocional não apenas alimenta seres invisíveis, como também constitui relevante perda de tempo que deveria ser empregado para o aprimoramento da alma e serviço do próximo. Mas a ilusão da brevidade da vida, somados a indolência e da enorme busca pelo prazer tolda consideravelmente até mesmo aqueles que possuem algum conhecimento sobre os mistérios da vida.

Como poderá o Espírito ganhar força, enquanto estivermos nessa condição de passividade coletiva que nada pensa por si mesmo. Para piorar a situação, os professores acadêmicos apenas ensinam para ganhar dinheiro ou pelo status de produtores do conhecimento. Não se esforçam pela sabedoria, mas sim pelo crédito que ganham dando a impressão de possuí-la. E os alunos não aprendem para ganhar conhecimento e se instruir, mas para poder tagarelar e para ganhar ares de importantes. Será que uma mente que pensa, isenta da coletividade passiva atual, não consegue concluir que a humanidade não sabe utilizar a mente?

As Escolas de Mistérios Menores transmitem ao mundo exercícios de controle do pensamento que visam à proteção da consciência de resquícios emocionais que tornam a mente vacilante, lasciva e a procrastinadora. A Fraternidade Rosacruz também sugere o estudo contínuo e intenso de matérias abstratas, tais como a matemática, a física, (geometria que é uma disciplina da matemática), astrologia, mitologia, filosofia, música, artes sacras, esquemas e períodos de evolução o estudo da bíblia, de simbologia, etc. Tudo isso com intuito de fazer o aspirante pensar por si mesmo.

Mas cuidado! Pois, podemos dedicar de modo arbitrário à leitura e ao aprendizado. Ao pensamento, por outro lado, não é possível se dedicar arbitrariamente. Ele precisa ser motivado de dentro, pelo Espírito. O excesso de leitura tira do espírito toda a elasticidade, da mesma maneira que uma pressão continua tira a elasticidade de uma mola. Max Heindel nos instrui para aprendermos a pensar por nós mesmos. Aquele que tem na Filosofia Rosacruz uma aparente fidelidade de reprodução dos seus escritos, apesar de aparentemente fiel, não encontrou ainda sua originalidade que é alavancada pela Vontade, Imaginação e Ação. Com estes poderes, pode-se criar frutos autênticos.

“O efeito que o pensamento próprio tem sobre o espírito é incrivelmente diferente do efeito que caracteriza a leitura (...) A leitura impõe ao espírito pensamentos (...) Desse modo, o espirito sofre uma imposição completa do exterior para pensar, naquele instante, uma coisa ou outra, isto é, para pensar determinados assuntos aos quais ele não tinha na verdade nenhuma propensão ou disposição. Em contrapartida, quando alguém pensa por si mesmo, segue seu mais próprio impulso, tal como está determinado no momento, seja pelo ambiente que o cerca, seja por alguma lembrança própria” (Schopenhauer).

Vale lembrar que o pensamento autêntico é o mesmo que Epigênese, afinal, gerar novas causas só é possível por uma mente madura já capaz de analisar e pensar por si mesma. A reprodução de informações não é algo autêntico e epigenético. O silêncio é um grande aliado neste processo. Devemos evitar de todo o coração o excesso de discurso que algumas vezes beira a logorréia. Somente assim algum vislumbre de pensamento próprio poderá surgir.

No próximo Período, o Período de Júpiter, a comunicação será altamente pictórica, de modo que a objetividade será também subjetiva. Isto é, aquilo que tenho como representação das coisas que eu conheço (minha subjetividade) será projetado por mim na consciência de meu espectador, tornando minha subjetividade uma objetividade passível de ser conhecida pelos outros. Não mais haverá enganos de comunicação, pois as almas das pessoas entrelaçadas em um nível ainda pouco compreendido pela maioria de nós. Assim como hoje o cérebro é necessário para que possamos manifestar pensamentos na Região Química do Mundo Físico, também necessitaremos do pensamento autêntico para que podermos comunicar neste Período Futuro. Por isso, há uma gama de Irmãos Maiores trabalhando para construir este ambiente futuro com suas Mentes, em um local fora de nossa Terra.

                Que possamos perceber a necessidade de desenvolver o pensamento autêntico, o pensamento abstrato criador. Que possamos buscar instrução e não o conhecimento. Que possamos aproveitar esta encarnação o máximo possível para adiantar o desabrochar espiritual. Que possamos fazer o Cristo nascer em nossos corações e em nossas Mentes.  

Que as rosas floresçam em vossa cruz

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