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Os frutos da união entre os polos masculino e feminino

 

Obtenha sabedoria e entendimento” (Pr 1:2).


A Sabedoria descrita no versículo dos Provérbios representa o princípio feminino de Deus, o fluir da revelação cósmica, enquanto o Entendimento representa o princípio masculino, que é alcançado pelo emprego da Vontade e da razão (Logos). A temática do presente artigo aborda estes dois polos básicos que fundamentam qualquer desenvolvimento humano – até mesmo o desenvolvimento inconsciente que, mesmo sendo respeitado, não é sugerido aos estudantes da Escola Rosacruz, pois, somente pelo emprego correto destes polos é que coisas originais podem ocorrer. Lembrando que a originalidade aqui mencionada, sempre será fundamentada no Amor, que também é o propósito de toda Ação, de todo o Poder e de toda a Sabedoria. Qualquer criação fundamentada fora do amor é vaidade.

Duas figuras representam, em seu mais alto grau, os polos feminino e masculino: a Virgem Maria que personifica o Divino Feminino e Hiram Abiff – o Construtor do Templo de Salomão – que representa o polo masculino. Lázaro, por sua vez, representa o fruto dessa união, ou ser andrógeno ressuscitado pelo Leão de Judá. Ele, junto ao Cristo, alcançou a vida eterna pela união dos dois polos. Esta androgenia foi majestosamente representada por Leonardo da Vinci na obra A última ceia, em que João Evangelista é representado como um ser andrógeno.

Originalmente, o mundo foi concebido em equilíbrio e cooperação perfeita entre os polos masculino e feminino. Aqui todos os elementos da natureza operam em consonância para a benignidade e para a vida. Condição conhecida na Bíblia como Jardim do Éden. Com o evento conhecido por “Queda” tanto o ser humano como a natureza passaram a ser divididos: ao mesmo tempo em que a natureza nos fornece a vida e o alimento de cada dia, há micróbios infectuosos, animais e plantas que sugam, parasitam, lutam e matam. Catástrofes e desgraças provindos da natureza, passaram a ocorrer após a Queda. Este fenômeno é ilustrado por Ezequiel 31:16-17: “Ao som da sua queda fiz tremer as nações, quando o fiz descer ao inferno, com os que descem à cova; e todas as árvores do Éden, a flor e o melhor do Líbano, todas as árvores que bebem águas, se consolavam nas partes mais baixas da terra. Também estes com ele descerão ao inferno a juntar-se aos que foram traspassados à espada, sim, aos que foram seu braço, e que habitavam à sombra no meio dos gentios”.

Do mesmo modo, o ser humano passou a ter duas naturezas pós-queda: uma Superior (Imagem de Deus) e outra inferior (que atualmente é dessemelhante a Deus). A busca pelo reestabelecimento da condição antiga é meta do aspirante a vida superior e a Nova Jerusalém só poderá ser uma verdade quando está condição for alcançada pelo ser humano.

Segundo Corinne Heline, o principal motivo pelo qual a humanidade não atinge este estágio ocorre pelo fato dela não compreender o Mistério do Divino Feminino e da não aplicação desse saber em sua vida (A intepretação da Bíblia pela Nova Era - vol. IV). A pureza é o elemento fundamental que transcende a experiência humana para além da representação ou do conhecimento cerebral (sombra da real essência pensante do Espírito). Ao se buscar a pureza, alimenta-se a Virgem Maria interior, que desperta um saber acima do intelecto e permite a experiência da verdadeira Vida. Neste estado sublime, pode-se exclamar o seguinte canto: se efetivamente, existo, por que peço que venhas a mim, uma vez que não existiria se não existisses em mim? (Santo Agostinho em Confissões).

A quintessência do polo Masculino, conhecido na Escola Rosacruz como quintessência da linhagem de Caim, se alimentada isoladamente, deslocada da pureza, seduzirá a pessoa ao ponto de acreditar ser detentora de grande poder e que pode bastar em si mesma. Em Confissões, Santo Agostinho adverte: “Quem dentre os homens, conhecendo sua fraqueza, é capaz de atribuir às próprias forças sua castidade e inocência para amar-te menos, como se tivera menor necessidade de Tua misericórdia...?”.

O polo masculino isolado, então, jamais produzirá um poder epigenético (originalidade) colaborativo a Grande Obra. A originalidade sem pureza é muito perigosa, sendo sua expressão máxima expressada em alguns sistemas econômicos atuais. Por exemplo, o capitalismo, que tem foco na produção e no lucro, induz seus adeptos (ainda que inconscientes em sua maioria) para a necessidade de ambição e originalidade. Estabelece, assim, a competição entre as pessoas. Pelo modo como este sistema é aplicado hoje (sem pureza), aquele que tiver a melhor ideia (ou a ideia mais lucrativa) ganhará sua promoção ou recompensa. Por ser unilateral, possui efeitos colaterais como a exacerbação do individualismo, da vaidade e a periferia econômica-social.

Obviamente que os conceitos de: dinheiro, o poder, o amor e a fama são os elementos colocados pelos Grandes Guias da Humanidade como fonte motivacional para o Espírito humano sair da inércia e dinamizar seus poderes latentes, através da obtenção de experiências e aprendizagem (ainda que isso pareça um absurdo quando se contempla a miséria que um sistema unilateral, como o acima mencionado, promove). No entanto, a questão que fica é o modo se utilizar os conceitos de fortuna, poder, amor e fama: Se houver correspondência aos raios inferiores de Marte e Vênus, tem-se uma vida comum e materialista; por e outro lado, se houver preenchimento destes conceitos com Coragem, Bravura, Intrepidez, Simetria, Simpatia e Amor, pode-se despertar o raio universal de Urano e concretizar, aqui e agora, a Nova Jerusalém.

Atualmente, o polo masculino impera de modo invertido na grande maioria das pessoas, principalmente nas pessoas que possuem Mentes com poder material e que determinam aquilo que seguramente as massas aderirão. Aqui existem dois problemas:

  1. 1)estas pessoas com essas Mentes estão totalmente direcionadas para a conquista material, ou seja, na maior conquista de dinheiro, poder, fama e amor-Assim, o raio marciano no seu polo ainda inferior é o que impera e determina suas atitudes;
  2. 2)esse polo apenas consegue sua frutificação, porque encontra casamento num outro polo consumista e autômato; que constitui o “comportamento de manada” que consome e age sem reflexão do alto.

Perceba que a dualidade masculina e feminina ainda permanece, mas com outra roupagem. O polo do Eu representa aqui o polo masculino, que é somado ao outro polo complementar (o Feminino), as massas. Mas o polo masculino aqui trata o outro polo de modo equivocado do ponto de vista espiritual: torna os outros em Isso ou em objeto. Assim, ocorre o casamento, um casamento profano, ou do Eu-Isso, conforme proposto por Martin Buber. A duplicidade espiritual visa, por outro lado, o casamento legítimo, em que o Eu (masculino) se una com o polo complementar Tu (Feminino), formando o Eu-Tu. “Aquele que diz ”Tu não tens coisa alguma por objeto”. Pois, onde há uma coisa há também outra coisa; cada Isso é limitado por outro Isso; o Isso só existe na medida em que é limitado por outro Isso. Na medida em que se profere o Tu, coisa alguma existe. O Tu não se confina a nada. Quem diz “Tu” não possui coisa alguma, possui nada. “Ele Permanece em relação” (Martin Buber). Estar em relação significa estar e viver no Todo.

O foco unilateral no polo feminino (linhagem de Água) também possui seus efeitos colaterais: mesmo que promova a experiência de fidelidade e pureza, induz o Homem a mergulhar no Ser Verdadeiro e suspender todas as suas faculdades pessoais. Quem busca o Ser verdadeiro, suprimirá o centro falso que é o eu inferior (alimentado isoladamente pelo polo masculino isolado). Esta libertação radical, promulgado pelos povos orientais, é conhecido por Mukti ou Moksha em que se atinge o estado de consciência sem sopro e sem reflexão. Aqui se alcança a transcendência do fenômeno de existir no eu inferior; de qualquer senso de consciência do tempo, espaço e causa. Chega-se na dissolução do senso do ser individual. Em outras palavras, mata-se a personalidade.

Entretanto, se considerarmos o Ocidente, o método inaugurado por Cristo-Jesus, é o mais eficaz no propósito de reequilibrar a natureza e o Homem. Nele, o Fogo se encontra com o fogo e nada se extingue na personalidade humana. Ao contrário, tudo nela se abrasa. Esta é, de fato, a experiência do binário legítimo ou a união das duas substâncias separadas na essência única (Deus). Em outras palavras, as substâncias continuam separadas (Espírito e Corpo - Binário) para não serem privadas daquilo que é o mais precioso em toda a existência: a aliança livre no amor. Por isso no Cristianismo se diz sobre o dom das lágrimas, pois a personalidade permanece. Os Mestres da Cabala, segundo o Zohar, choram muito e frequentemente. O próprio Cristo chorou na ressureição de Lázaro, personificação da união perfeita entre os polos masculino e feminino.

Neste sentido, o Amor, que é a base do ensinamento do Cristo, só pode se manifestar se houver um binário; se houver um Amante e um Amado; se houver um Eu e um Tu; se houver Sopro (Espírito, Fogo) e Reflexão (Corpos, Água). Este é o motivo pelo qual Cristo sempre dizia, “Em verdade, em verdade”, referenciando a consonância entre o Espírito (primeiro “em verdade”) e o corpo (segundo “em verdade”), e que dessa fecundação, nascerá a Alma, que são os poderes anímicos, conhecido pela Rosacruz como a Tríplice Alma: Alma Consciente, Alma Intelectual e Alma Emocional. Também este é o verdadeiro motivo pelo qual Ele curou um doente (fruto do círculo fechado) num Sábado, reabrindo a Espiral em que Deus vem até o Homem e o Homem vai até Deus.

O principal meio para alcançarmos a união verdadeira entre os polos masculino e feminino (Originalidade-Pureza) é o Amor. Não é possível amar unilateralmente. Para o Amor se manifestar, deve haver os dois polos, em relação. Um alimenta o outro, sendo a Cristificação, o fruto deste casamento. Somente assim a Nova Jerusalém se tornará uma realidade.

Do ponto de vista prático ou do cotidiano, dois são os meios que se pode atingir da união de complementares (Masculino-Feminino; EU-TU; Hiram-Rainha de Sabá; Espírito-Corpo; Sopro-Reflexão; Originalidade-Pureza): no nível pessoal (regeneração da personalidade) e no nível coletivo (Serviço amoroso e desinteressado aos outros), sendo que um aprimoramento não pode existir sem o outro. Isso esta de acordo com a lógica de espirais dentro de espirais ou de como é em cima, é embaixo. Em ambos os níveis, a Imaculada Concepção e a Glória de Shekinah são alcançadas. 

Os alquimistas revelaram uma grande verdade quando declararam que a Pedra Viva (o corpo da Nova Era) era formada pela união do Sol (polo masculino) e da Lua (polo feminino), e o percurso dos Astros no Sistema Solar, o Corpo-Templo de Deus, possui um correlato similar do Corpo-Templo do Homem. Este é um dos maiores simbolismos do Corpo Humano.

 

Continue a leitura deste artigo intitulado A Semente Sol e a Semente Lua, publicado no ECOS de Julho, Agosto e Setembro de 2014: http://www.fraternidaderosacruz.com.br/ecos/190-ecos-jul-ago-set14.html

 

Que as rosas floresçam em vossa cruz

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