A Nobreza de Todos os Trabalhos

Filosofia | 01/05/2020

Uma correspondente muito entusiasmada pela beleza e pela satisfação sentida pelos Ensinamentos Rosacruzes, deplora o seu destino que a reduziu a uma cozinha, a um fogão, a cuidar dos filhos e ao trabalho penoso e ingrato de limpar a casa. Disse que se estivesse livre para pregar as verdades recém-encontradas nestes ensinamentos, iria pelo vasto mundo com as boas novas pelas quais um número incalculável de pessoas anseia e busca.

Tudo isso seria muito conveniente para ela e para milhares de pessoas, entretanto, que seria dessas ternas crianças privadas dos cuidados de sua mãe?

Não esqueçamos o ponto importante de que todos os que foram chamados a trabalhar na vinha do Mestre, estavam libertos dos compromissos do mundo. Não tinham laços que os impedisse de trabalhar na vinha do Senhor.

Quem não estiver totalmente livre das obrigações essenciais da existência, não pode abandonar os seus deveres e dedicar-se a trabalhar para os demais. Se aspirarmos esse trabalho, precisamos ser primeiro fiéis aos nossos deveres atuais; algum dia o caminho se abrirá e ouviremos o legítimo chamado.

Quanto ao “trabalho penoso e ingrato”, essa expressão é muito comum. O professor diz que é penoso e ingrato repetir todos os anos as mesmas lições aos seus alunos; a mãe diz que os afazeres domésticos são penosos e ingratos; o pai intitula a sua profissão do mesmo modo e, assim, toda a sociedade se queixa. Cada um pensa que se estivesse no lugar do outro, a vida tornar-se-ia imediatamente uma bela e doce canção. Isto é uma ilusão!

O homem, nascido da mulher, é de poucos dias e cheio de inquietação. Jó 14:1

Onde quer que esteja colocado, há só um método para melhorar, um caminho para vencer, que é o de adotar uma reta atitude mental.

Um poderoso motor à gás, andando a grande velocidade, pode desafiar um exército de homens fortes para detê-lo, mas um simples resíduo de carvão depositado no ponto da ignição ou um pequeno parafuso desapertado pode fazê-lo parar ou perder rapidamente sua potência. Um pouco de fuligem, que nós desprezamos como sujeira, pode, sob determinadas circunstâncias, realizar mais do que muitos homens.

Não devemos ter a extravagância de enaltecer uns como heróis e depreciar outros como trabalhadores humildes. Há almas tão nobres remendando meias, como as que se sentam em cadeiras presidenciais. Tudo depende do amor que cada um deposita ou não, no desempenho de suas funções.

O que muitos realmente querem dizer por “trabalho penoso e ingrato”, é simplesmente monotonia. Todo o trabalho é mais ou menos rotineiro, e a constante realização dos mesmos ofícios, torna-se, frequentemente, monótona. Há uma razão muito boa para que seja incluído este princípio de rotina na nossa fase atual de desenvolvimento.

Preparamo-nos agora para a próxima Era Aquariana com os seus grandes desenvolvimentos intelectuais e espirituais. Isto requer um despertar do corpo vital adormecido, cuja nota-chave é a repetição. A rotina da nossa ocupação diária proporciona este despertar. Se nós nos revoltamos, isso gera monotonia e retarda o progresso. Se, pelo contrário, infundimos amor às nossas tarefas, avançaremos muitíssimo em nossa evolução e colheremos o prêmio de uma grande realização.

Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz!

 

Do Livro Carta aos Estudantes – Max Heindel

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